
Não sei se isso acontece com você, mas às vezes percebo que a vida está me levando para muito longe de coisas que até então sempre me foram caras...
Algumas aceito tranquilamente, outras me assustam pelo apego, por ter vivido tanto desse jeito até hoje.
Nessas horas eu tento reorganizar meus pensamentos e entrar em contato com meus sentimentos, com o que é primordial, para assim poder me despedir com mais tranquilidade de tudo aquilo que minhas "novas rotinas" mostram que mais cedo ou mais tarde desaparecerá da minha vida.
Os hábitos têm mudado e surpreendentemente me dou conta que há MUITO tempo fugia da minha própria vida, vivendo sempre à sombra da vida de outrem. Você já se perguntou se tem vivido sua própria rotina ou moldado seus horários à agenda de outras pessoas?
O bacana nisso tudo é perceber que tinha medo de coisas que não existem e que adiar o confronto com tudo aquilo que existe é apenas uma maneira covarde de boicotar minha própria história.
Hoje em dia escrevo com mais cautela e muito medo de me expor demasiadamente, mas onde está a arte quando usamos meias-palavras? E onde está Andréa quando há tanta censura?
Tanta coisa está morrendo para que eu possa renascer...Mas não há pesar, nem luto há. Porque simultaneamente tenho nascido para prazeres imensos como saborear o amor daqueles que fariam o mundo parar de girar por mim ou daqueles que me abrem as portas felizes e me pedem para voltar sempre que quiser, sabendo que levarei em cada visita a minha alegria, meu brilho, meu entusiasmo.
Hoje tão poucas coisas fazem meu coração acelerar, meus olhos brilharem e minha alma sorrir...
Novidades não tem mais sabor, nem tenho vontade de dividí-las com ninguém, muito menos de comemorá-las, por mais positivas que possam ser.
Você poderia facilmente me diagnosticar com uma depressão, mas eu te mostraria que essa minha crise de "não deslumbramento" não passa de um processo de consciência...
Consciência de que o que realmente importa ou nasceu comigo ou nasceu de mim.


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