quinta-feira, outubro 02, 2008

chorar um rio...


Papai do céu cria cada ser humano à sua imagem e semelhança, mas ele certamente brinca de alquimista ao manipular nossas características pessoais.
Poucas pessoas lembram dessa fase, na filinha antes do túnel carinhosamente chamado de canal vaginal. Eu estava lá, no maior feito de toda minha vida, que foi correr mais rápido que todos os outros milhões de espermatozóides. Não sei bem o nível da concorrência, mas custo a compreender porque nunca mais consegui correr na minha vida, muito menos chegar na frente dos outros. Por que nunca mais fui primeiro lugar em nada? Chego a suspeitar que meu pai teve um gozo de uma gotinha só.
Mas voltando lá para aquela filinha, por mais que eu deteste todas as filas do planeta... Papai do céu estava ocupado com suas alquimias malucas e chegou a vez da auto-estima. Dona Maria gritou alguma coisa da cozinha celestial distraindo sua atenção. Quando Nosso Senhor voltou às atividades simplesmente colocou a tal da auto-estima duas vezes no projeto de bebê vizinho e eu toda bobinha, que só sabia chorar, não consegui pleitear o que seria meu de direito.
Se acredito em destino? Pelo menos naquele que fez de mim um eperma-avião-supersônico, que, para meu total infortúnio, se desintegrou em contado com o ácido ventre da minha doce maezinha.

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