segunda-feira, março 05, 2007

meu coração é só meu

Em Salvador nasceu um menino bem branquinho, cabelos pretos, olhos de bola de gude e um sorrisinho de gente boa.
Essas coisas não mudaram muito nos últimos 29 anos. Exceto que a Bahia ficou para trás, dando lugar a um currículo de muita sergipaneidade. O sotaque ficou, de forma sutil, no mais agradável estilo Wagner Moura.
Olhinhos de bola de gude virou um homem intrigante. As opiniões sobre ele são as mais divergentes. Muita gente fala que não passa de um BABACA, mas a grande maioria, especialemnte quem desfruta do seu convívio, faz questão absoluta de sua presença. Ele tem uma amiguinha que daria a melhor representante da última categoria. Mas como assim amiguinha? Tudo começou de tras para a frente. Sabe quando uma relação põe o carro na frente dos bois, depois volta tudo e passa 3 anos recomeçando? Mas a construção da amizade tem sido uma experiência reveladora. Pelo menos para a amiguinha que não sabe o que pensar, mas sabe muito o que sentir. Com a mais convicta certeza de que quem não gosta dele tem razão ao chamá-lo de babaca. Mas ela aprendeu a admirar o tom dessa babaquice. Até porque, como eles mesmos concluiram,ALEGRIA DEMAIS É DESESPERO. Então ela sabe quando ele está atuando pela lei da sobrevivência.Mas tudo isso tá ficando confuso demais, carecendo de melhores explicações.
É que de vez em quando a vida nos aproxima de pessoas que chegam mesmo chegando, marcando presença...Eles chegaram assim na vida um do outro. Como se tratam de figuras aparentemente heterosexuais, a primeira ideia que vem à mente é: "Poxa vida! Dá para a gente se pegar." Isso é normal. O ser humano é bicho mesmo.É instinto em primeiíssimo lugar. Mas aí chega o segundo momento. Quando o sinalzinho amarelo pisca em nossas mentes.Porque o fato, meus queridos, é que todos nós sentimos o cheiro de roubada de longe. Ela sabia que não seria correspondida, caso embarcasse nessa fábula que é o amor romântico. Ele, por sua vez, tinha escondido, numa gaveta emperrada pelo entulho, os seus dogmáticos desejos de construir uma parceria afinada. Nos últimos anos ele vinha construindo uma série de novos valores. Não seria ela, nem ninguém mais que iria separá-lo da melhor das cumplicidades:A que ele tinha com ele mesmo. Quer dizer que ele não se apaixona? Ao contrário, ele se apaixona muito e intensamente, mas desde que com a mais absoluta certeza de que vai ser passageiro. Como a amiguinha ficou nessa história? Como sempre esteve. Saboreando o simples prazer da sua companhia. Do brilho dos ses olhos de bola de gude. Eventualmente até se diverte com as aventuras amorosas dele. Porque ela também sabe que tudo vem em nome do não compromisso. Até os noivados que ele venha a inventar. A vida dela segue normalmente, com namoros que confortam, apesar de já terem dado tudo que tinha que dar ou até com paixões que ela inventa pra se distrair. O mais provável é que ela também tenha feito um pacto consigo mesma de experimentar a vida em sua própria companhia, dando aos romances um papel bem coadjuvante.
Mil vezes eles se encontram como se não fosse nada. Vez por outra desses encontros saem faíscas. O melhor é que depois de tantos anos eles ainda se surpreendem um com o outro. E que adoram perceber a felicidade que existe em cada reencontro. Felicidade comedida, é claro, porque demais seria desespero!

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